… por Romenique Zedeck
Eu queria voltar aos meus tempos juvenis
e correr sob o céu azul anis
sem medo de tropeçar e me machucar
e não ter mais tempo para mudar
Queria ser criança inocente
para ter medo do escuro novamente
correr de medo dos animais
e dormir no meio dos meus pais
Uma vez criança, meu amigo
pediria para meu pai brincar comigo
me botar em seu ombro largo
e quase tocar no teto do quarto
Queria ter os problemas de doze anos atrás
não temer as cifras bancárias jamais
mas temer perder meu vídeo-game querido
e não saber o que é amar sem ter você comigo
Sim! Queria ser um infante com joelhos esfolados
ao invés de ter o coração dilacerado
por não poder ficar mais contigo
e ter que sustentar meu orgulho vadio
Ah se pudesse voltar no tempo
esquecer-me que estou envelhecendo
e ser criança novamente
ser criança eternamente













[...] Saudades do meu eu criança [...]
Grande Rome, que poema sensacional.
Eu particularmente, me aproximando dos 40 anos, já começo a ver coisas e sensações da infância retornando.
Cores, lembranças de brinquedos, pessoas, lugares… cheiros.
Até estou frequentando lugares que ia quando mais jovem, como o aeroporto de Guarulhos. Pode parecer banal e ninguém me entende, mas gosto de estar ali, e nunca viajei de avião.
Não sei explicar.. é como se a criança (que nunca deixou de existir, só deixou mais lugar para esse adulto cínico, pretensioso e ganancioso que me tornei) estivesse gritando para mostrar que ainda faz parte de mim.
Seu poema fala sobre isso, e me emocionou bastante.
Parabéns, e aguardo mais textos seus.
Walmir.