Capítulo 1
Não espere que o tempo aqui seja revelado. Afinal de contas, isso tudo é ficção, já que coisas assim nunca deveriam acontecer. Mas o lugar é importante, mesmo que sobre ele muita gente não consiga achar algo realmente significante. Sabe aquelas casas que nos roubam a atenção durante uma longa viagem de ônibus, quando você não consegue dormir, ansioso para chegar ao destino ou simplesmente angustiado de ter deixado algo muito significante para trás?
Pois saiba que o lugar no qual essa história – ou estória, caso você esteja lendo isso na época em que tal diferença realmente existia – se passa encontra-se perdido, quase esquecido, no meio do nada. Na verdade, do nada é exagero. Ele ficava mesmo é no meio de uma estradinha de terra, que nasce do nada em uma rodovia por aí. Ao redor desse lugar não há muitas árvores, mas poucos teriam coragem de cruzar o terreno daquilo que hoje é tido como um bar de beira de estrada. Um bar abandonado, claro. Ou você não prestou atenção sobre ele estar no meio do nada?
Mas o bar não foi sempre assim. Na verdade você ficaria surpreso com o tanto de gente que já passou por ali. A sua avó já deve ter dito que muito do que é feito hoje é porcaria, tudo construído pra acabar com as esperanças de economia de qualquer um. E essa mesma avó continua a crítica, dizendo que coisa boa mesmo são as antigas. E aquele bar era bem antigo e sempre pertenceu a uma única família.
Dizem que o primeiro proprietário era um soldado, muito hábil com espadas, que enfrentou guerras, montado em cavalos e vestindo armaduras pesadas. Se ele lutava contra o mal ou em defesa do bem, isso é impossível de determinar. Isso dependeria muito de qual lado da espada você estaria. O que se sabe é que o guerreiro, apesar de não ser infalível, nunca perdeu uma batalha. Mesmo aquelas em que teve de enfrentar hordas de inimigos, flanqueado por uma dúzia de companheiros.
Uma dessas façanhas rendeu a ele recompensas e algo que poucos soldados conseguiam: descanso. Hoje em dia você chamaria o que ele recebeu de uma bela aposentadoria. Dela, muita coisa foi feita. Em filmes, muitos guerreiros sonham em terminar a vida com uma bela família e cuidando da própria fazenda. Por coincidência, o grande guerreiro conquistou tamanho privilégio e por bastante tempo. Tanto tempo que a habilidade com a espada foi esquecida. Na verdade, ela foi transferida para a enxada, assim como o cavalgar fatal do soldado já se direcionava para o controle do gado.
Foi ele que construiu a própria casa e a recheou de filhos que, lógico, tiveram tempo pra crescer e abandonar aquele lugar. Mas o grande guerreiro era feliz com a esposa, que esperava outro filho quando a caldeirão entornou. Soldados incríveis como aquele eram difíceis de se encontrar e como nem sempre é possível ganhar uma batalha, o mesmo exército pelo qual viveu para treinar e defender morreu inteirinho.
Aquele reinado da era do guerreiro havia terminado e o erro dele era ter permanecido vivo. Pelo menos era isso o que pensavam os inimigos do governante daquelas bandas, naquela época. Pode chamá-lo de rei, caso queria. Mas o rei agora estava morto. E junto com ele deveriam ser enterrados todos os aliados e quem mais atravessasse o caminho do inimigo. O soldado foi morto junto com a esposa, ainda grávida. E durante alguns séculos aquele lugar ficaria abandonado.
As eras das trevas se passaram e chegaram as da luz. As gerações mudam e os genes fortes sempre permanecem. E genética, para muitos, é mera obra do acaso. Por isso, talvez, o mundo esteja cheio de coincidências. Uma delas foi que um dos descendentes do bravo guerreiro, que teve a sorte de não estar presente no momento da matança e também se tornara um ser extraordinário, conseguiu encontrar uma nova vida para ele.
E dessa nova vida surgiram outros filhos. Cada um tomou o rumo que era destinado a ter e apenas um deles teve interesse em descobrir mais sobre a própria história. O único problema é que é preciso ter muito cuidado com as coisas muito antigas. Principalmente quando falamos de lugares velhos como aquele e que passaram por momentos de grande sofrimento. Na verdade, nem eu deveria estar lhe contando esta história. Não é bom falar nessas coisas, mas certamente ninguém é inteligente o suficiente pra parar de ler agora.
A mesma estupidez existe entre os estudiosos, os pesquisadores, os historiadores, arqueólogos e curiosos. Eles não conseguem ficar longe de problemas.
Mas o “trocenteneto” do grande guerreiro decidiu se aventurar na história da própria família. E quem poderia recriminá-lo? Principalmente depois que você visse o lugar todo reconstruído, limpo e muito parecido com aquilo que se tornou hoje? Era um belo lugar.
Porém, pesquisadores não constroem bares. Eles gostam mesmo é de bibliotecas. E foi nisso que a sede de fazenda se transformou. E, por incrível que pareça, a frequência ali era boa. Afinal de contas, aquele lugar ficava no meio do nada atualmente. Naquela época existiam muitas propriedades rurais por ali.
Ninguém havia se interessado pela casa sede antes devido às histórias a seu respeito. Aconteceu ali quase o que se faz hoje com os tais patrimônios históricos. Ninguém queria mexer com as memórias daquela casa. Mas eles ficaram felizes por alguém da família ter voltado, disposto a dividir as histórias que sabia (ou como você acha que alguém poderia saber de tudo isso a ponto de escrever a história que você está lendo aqui e agora?).
E tudo foi dividido. Esse é o trabalho dos pesquisados que abrem bibliotecas. Eles contam histórias. Mas nunca acreditam em muitas delas. Principalmente as de terror, as preferidas das crianças – que sempre juram de pés juntos que é tudo verdade. E como conhecimento não necessariamente significa sabedoria, nenhum letrado deixaria-se levar por fantasias (os “sábios” adultos, é claro). Às crianças fica reservado a inexperiência, as brincadeiras e traquinagens. Por isso, talvez, elas sejam mais corajosas a ponto de se aventurar pelas proximidades da casa sede, que para eles sempre será mal assombrada.
Se eles realmente viam coisas circulando pelo terreno ao redor da casa? Bom, claro que não! Quem pode acreditar em vultos de olhos vermelhos, que nunca piscavam, encarando você? Mesmo que naquela época a palavra vampiro já existisse, quem acreditaria neles? Principalmente depois que o herdeiro da casa sede foi morar ali. Algumas crianças até eram audaciosas o suficiente para perguntar a ele se já havia visto algo. Ele mentia… Dizia que sim, inventava histórias sutis e incríveis. Os pais ficavam agradecidos, pois isso fazia com que os filhos ficassem mais entretidos e… exaustos. Não tinha uma criança que fosse à biblioteca e não chegasse em casa morta de cansaço. Era só colocá-las na cama e em poucos minutos já dormiam (isso se já não estivessem dormindo no colo dos pais).
E o Sr. da Biblioteca, como era chamado pelas crianças (e alguns adultos), era muito bem afeiçoado. Muitas esposas ficavam encantadas com ele a ponto de o considerarem uma boa opção de casamento para as filhas. No entanto, muitos anos se passaram até que alguém realmente aparecesse e roubasse a atenção dele, que sempre estivera voltada para os livros e a educação das crianças das redondezas. Dizem que ela apareceu em uma noite, pois ninguém a havia visto entrar na biblioteca durante o dia. Mas a viram lá dentro durante o dia, durante os horários em que a biblioteca permanecia aberta.
Algumas raparigas não gostaram da novidade, assim como algumas mães. Mas nada disso importava, já que a mulher, que era mais jovem do que o Sr. da Biblioteca, não ia mais embora dali. Ela era uma pessoa agradável, falava muito pouco. Mais observava e ajudava o Sr. da Biblioteca a cuidar dos livros, das crianças e parecia ser uma boa companheira pra ele. Muitas esposas tentavam convidá-la para as confraternizações e rodas de chá que faziam em alguma fazenda, mas nem à igreja ela ia (algo que incomodava muito, mas ninguém tinha coragem de comentar isso em voz alta).
Houve só um dia em que, para surpresa de muitos, ela convidou todos que costumavam freqüentar a biblioteca para aquilo que hoje conhecemos como chá de bebê…
A continuação já está disponível. É só clicar aqui.













Cara… ficou bem legal a história… embora tenha alguns erros, como pesuisados… não seria pesquisadores? XD hehe
só um toque ^^
Mas ficou muito bacana a forma de narração ^^
Valeu, Vinny, principalmente pelo toque na correção. Eu uso o notepad pra escrever, logo, não tenho corretor. E mesmo revisamos, sempre passa algo.
Por isso a ajuda de vocês é crucial.
Gostei Muito do seu conto Johnny. A Narrativa está muito boa, muito boa mesmo. Melhor do que muito livro “editado” que já passou-me pelas mãos.
Você conseguiu criar uma imersão muito boa ao leitor.
Agora se me permite opinar, nesse trecho:
“Mesmo que naquela época a palavra vampiro já existisse, quem acreditaria neles?”
Acho que a Palavra vampiro ficou muito forte, e acaba por roubar muito do mistério do conto. porque até essa parte, o leitor deixa a imaginação o levar, apartir do “vampiro.” tudo muda, e quase que rouba 50% de nossa atenção/imaginação.
Apenas a opinião de um amigo ^^
Há muito tempo não me prendia a uma leitura. Essa realmente é de se prender e se perder o imaginário.
Em questão de ortografia já não me disponho a opnar, que a última vez que usei (ousei) escrever “estória” e não história, acabei me rendendo ao vício popular de escrever o que os outros querem ler.
Maldito vício de empobrecer o português.
Mas opinião de uma leiga, porém atenta leitora, Adorei o texto… Até o próximo capítulo.
Ah. ainda não me atualizei com as novas regras da gramática, portanto desconsidere os erros. hihihi
abraço
Cria uma grande imersão, sem dúvida. Essa questão do texto grande, que vc falou antes.. Pessoalmente acho q esse ficou grande demais. O resto do pessoal gostou, então eu sou minoria, mas a WEB é democrática, não? Num geral, parabéns.