Capítulo 2
Aninha tinha acabado de chegar em casa. Ela acabara perdendo muito tempo se desvencilhando de Júnior. O rapaz era insistente e parecia realmente gostar dela. Mas ele era do tipo que nunca a encantaria. Os dois tinham, sim, saído um dia. Foi em um final de semana bem no começo do ano, uma semana depois dela ser apresentada aos colegas de sala. Júnior se aproximou dela no mesmo dia e dizia ser o guia perfeito pra ela se enturmar no colégio. Ele era simpático e, sem dúvida, bonito. Tinha toda aquela falta de tato que a maioria dos garotos possuem quando se dirigem a uma garota. Com certeza, andar com ela logo no primeiro dia era pra ele quase uma vitória sobre os outros meninos. Ele também tinha 15 anos, mas ainda estava na 8ª séria por pura incompetência mesmo, já que toda beleza deve ter prejudicado de alguma forma o cérebro do garoto.
Todos os garotos queriam saber o segredo de Aninha. Mas ninguém podia perguntar isso a ela. Os diretores praticamente transformaram os espetores em guardas costas. E isso porque eles nem imaginavam que um evento como o do pobre Marquinhos iria acontecer. Por isso, Júnior nunca conseguia perguntar nada pra ela na escola. E nem fora dela, já que os pais dela não permitiam que ela saísse completamente só.
O irmão da garota ou mesmo a namorada dele sempre estavam por perto. Mas na tarde daquela sexta-feira, dia 1º de novembro de 2002, a garota decidiu que aquilo tinha de terminar. E, ela não sabia o porquê, mas tinha quase certeza de que o tímido Tiago iria ajudá-la com isso. O garoto não era nem de perto mais bonito que Júnior. Não pense que o interesse dela nele surgiu à primeira vista. Tudo aconteceu depois da primeira tentativa de Júnior conseguir alguma informação sobre Ana.
Eles estavam no cinema e os irmãos de Ana não conseguiram se sentar ao lado dos dois. O cinema estava muito cheio e o garoto conseguiu se antecipar pra garantir dois lugares pra ele e Aninha. Assim que ele se viu livre do “irmão e cunhada guardas”, Júnior também pensou que Aninha estava ansiosa para ficar mais à vontade com ele. Aninha sentiu a mão direita de Júnior pressionando a coxa direita de sua perna, depois, passou pra outra perna e subiu pela cintura. Era uma tentativa de abraço — “Ou amasso”, ela pensou. Mas com uma habilidade que só as meninas têm pra se livrar das mãos bobas, Júnior se decepcionou bastante quando viu seu braço sendo rebocado e praticamente içado até outro braço, o da poltrona.
— Júnior, você é legal e tudo mais. Só que não há clima nenhum com meu irmão e cunhada vigiando. Na verdade, a gente tem saído justamente porque você é um bom amigo. — E Aninha enfatizou, quase sublinhando no ar, a palavra amigo. Se ela sabia que dizer aquilo pra um rapaz que tinha acabado de tentar beijá-la era crueldade? Bom, ela é uma garota. Elas sabem mais sobre nós do que nós mesmo (e a gente não faz ideia do que passa na cabeça delas no momento de um fora daqueles). Mas Júnior não era como Tiago:
— Poxa, Aninha, golpe baixo esse! A gente tem saído há um bom tempo! — fazia um mês, sendo que eles tinham saído somente três finais de semana (mas ele tinha de usar algum bom argumento). — Dizer que somos só amigos chega a ser um desaforo.
— Calma, Júnior. Eu não disse que somos só amigos, mas que, por enquanto, você ainda não conquistou a confiança necessária da minha família.
— Caramba, Aninha, você realmente deixa eles controlarem tanto a sua vida assim? Quantos anos você tem? Dez? — ele perguntou, em um tom de quase revolta.
— Eu tenho 15 anos, Júnior. Ainda sou menor de idade e tenho de obedecer a minha família. Nós temos esse costume de cuidar um do outro. Na verdade, somos bastante protetores.
— Mas impedir que você fique ou saia com alguém… Ou melhor, você até pode sair, mas só com a cola do irmão e da cunhada mala? — agora ele passou dos limites. E quando percebeu isso no rosto de Aninha, tentou corrigir:
— Caramba… Não foi isso que eu pre… — ele foi interrompido com uma mão tapando a boca dele. Aninha, então, se virou para o lado, acomodando-se na poltrona do cinema e disse, em um tom bastante duro.
— O filme vai começar. Melhor nos concentrarmos nele, o ingresso foi caro. — Era uma animação da Disney, o “A era do gelo”, que teve o brasileiro Carlos Saldanha como co-diretor. Os trailers já haviam passado. Aninha e Júnior os perderam enquanto conversavam… Ou será discutiam? “Bom, eu não me exaltei”, pensou Aninha. “Então não foi uma discussão”. Discussão ou não, alguma coisa no título do filme traumatizou o garoto. E quanto mais a película rodava, mas gelado ele se sentia naquele encontro. Se é que dava pra considerar aquilo como encontro (se é que dava pra considerar qualquer uma das oportunidades que ele teve pra sair com Aninha como encontros).
Aninha se divertiu bastante com o filme. Júnior também tentou relaxar, mas toda vez que o esquilo Scrat aparecia em cena. O bicho passa o filme inteiro perseguindo uma noz. Mas toda vez que chega a milímetros dela, algum acidente acontece (dentre eles, raios, ser pisoteado, rolar por ribanceiras…). Júnior sentia uma certa semelhança entre a sorte dele e a do personagem.
E quando ele achava que a falta de sorte tinha chegado ao limite, já que os guarda-costas de Aninha precisaram ir ao banheiro ao final da sessão, o pior aconteceu. Aquela, para ele, era a oportunidade que estava esperando para pelo menos ganhar alguma informação importante, pois tinha decidido partir pra outra. Aquela menina era muito complicada pra alguém que só tinha interesse em marcar alguns pontos entre a garotada da escola. Ele se aproximou dela assim que o irmão dela sumiu dentro do banheiro e foi direto ao ponto:
— Aninha, eu sei que essa é uma linha que a gente não deve cruzar na escola. Mas você poderia ao menos por que sua família tem tanto cuidado contigo. Por um acaso você sofreu algum tipo de abuso quando era mais nova?
A garota fechou a cara, mas não de raiva. Era mais preocupação. Ele não deveria ter feito aquilo, fato que Júnior lamentou ser verdade segundos depois da pergunta. A cunhada de Aninha deu um cutucão no ombro dele pra pedir atenção. Quando ele se virou pra ela, sentiu o colarinho da camiseta dele ser levantado e a mão do irmão de Aninha encostar em seu queixo. E foi ele quem falou. Não com raiva, mas em um tom impositivo e quase hipnótico:
— Você é um bom rapaz. Mas não serve para minha irmã. Seja apenas mais um colega de escola dela. O cinema já acabou, vá agora para casa. Deixe que eu e minha noiva acompanharemos minha irmã até em casa.
Júnior procurou nos olhares das pessoas que estavam por perto algum tipo de ajuda. Mas ninguém parecia prestar atenção neles. Nem mesmo os funcionários do cinema vieram saber o motivo da agressão. Olhou para Aninha em busca de apoio e, apesar dela parecer estar consciente do que acontecia, não expressou reação alguma. Na verdade, ela o encarou com um olhar que nunca nenhuma garota dirigira pra ele. Júnior reconheceu a pena por traz daqueles belos olhos castanhos. A decepção foi ainda maior do que o fora que levara mais cedo. Mas não conseguia ficar com raiva. Era como se toda confusão dos eventos daqueles minutos não desse tempo pra isso.
O irmão de Aninha soltou Júnior. Ela, só então, encarou-o e disse:
— Vai, Jú, a gente se vê na escola. Desculpe por qualquer coisa. Não é nada contigo, mas eu ainda não estou preparada.
Júnior, mais confuso ainda, no entanto, começando a reagir como achava que deveria, fechou a cara e saiu do hall do cinema. O rapaz pensou em vários tipos de vingança, mas no fim de cada plano, sentia as mãos do irmão-guarda-costas no peito dele e esmorecia. Resolveu deixar o assunto para o outro dia. Só que mesmo na escola não conseguiu fazer nada além de dizer para os colegas que ele havia se cansado da esquisitinha. Os outros rapazes tentaram insistir pra ele contar se havia descoberto alguma coisa, mas ele desconversava, dizia que não era nada que valesse à pena (mesmo não tendo descoberto nada e, pior ainda, ter ficado ainda mais interessado no mistério). Mas a insatisfação continuaria ali, no peito dele e, ele ainda não sabia, mas ficaria obcecado pela garota e seu segredo (outra história que precisa ser adiada).
Aninha também teve por um tempo a cota dela de colegas curiosas para saber mais sobre o real motivo dos dois terem terminado. Quanto a isso, ela simplesmente se limitava a dizer: “A gente não terminou porque nunca fomos mais do que amigos”. As meninas não acreditavam e ela esperava que elas não fossem procurar a outra versão. Não que estivesse preocupada com a opinião delas, mas sim em não machucar ainda mais o próprio Júnior (ela sabia que, apesar de toda marra, ele acabou nutrindo mais sentimentos por ela; mais do que ele mesmo esperava e queria acreditar).
Daí você se pergunta: “E onde Tiago entra nessa história? Como isso fez com que Aninha passasse a ter algo mais do que começou com Júnior?”. Na verdade, isso eu, Venceslau Ondrej, protetor de Tiago, não consegui definir completamente. Mas aconteceu logo no momento seguinte em que ela teve oportunidade de encontrar com nosso protagonista. Ela havia chegado de intervalo na sala, que ainda estava quase vazia. Os alunos ainda demorariam pelo menos mais 5 minutos para começar a se dirigir para as salas. Somente os mais dedicados, os caxias, cdfs, nerds e rejeitados subiam antes.
Ela não se considerava merecedora de nenhum desses estereótipos. Queria apenas garantir pouca fila e confusão na hora de entregar o trabalho sobre “Os ismos da literatura brasileira”. Foi a primeira vez que ela encarava Tiago, que sempre sentava ao seu lado. O problema é que quando ela fez isso o pobre quase engasgou com o salgadinho Cebolitos que estava comendo. Aninha achou graça na tentativa dele de evitar que ela visse a curva do salgado invadir uma das narinas dele. Parecia um piercing que saia debaixo do lábio dele e furava também o nariz.
Atrapalhado, Tiago acabou atirando longe o salgado, que foi parar em algum canto da sala e, em breve, ia atrair alguma barata esfomeada. Ele estava com os olhos fixos em Aninha, olhando-a como se ela fosse a primeira garota a encará-lo de verdade. Chegou até mesmo a pensar que talvez o olhar não fosse pra ele, mas se lembrou que ninguém mais se sentava atrás dele.
— Oi! Desculpe. Não era minha intenção atrapalhar seu lanche. — disse Aninha, divertindo-se pela primeira vez com a timidez de Tiago.
— Tudo bem. Não tem problema, eu já estava acabando mesmo.
— Que pena, eu adoro cebolitos. — Ela falou isso com cara de quem acabara de perder a sobremesa predileta.
— Hummm, não, não! — Era Tiago, batendo mais um recorde de “sou péssimo com as mulheres” (e um tanto quanto mal educado também). —… Ainda tem um pouco! Você quer!
Foi então que um súbito ataque de soluços deixou Tiago mais sem fôlego do que ver a garota se aproximar pra pegar um pouco de salgadinho. Ta que ela nem chegou tão perto assim, mas foi suficiente pra ele sentir o cheiro doce — de volta de intervalo — da garota. Imagino até que tenha sido essa sequência de situações inusitadas que aproximou o coração dos dois jovens.
Claro que o sentimento cresceu além da percepção consciente dos dois. Na realidade, eles ainda não tinham se tornado os melhores amigos de classe. A timidez de Tiago era tanta e os receios da vida de Aninha atrapalhou os dois. Isso, pelo menos, até aquele 1º de novembro de 2002.
O ano letivo estava acabando. Os professores passando e recolhendo os últimos trabalhos e aplicando as provas finais. Aninha, como toda jovem, começava a relaxar e a se enturmar. Já tinha conquistado a simpatia da maioria dos colegas. Mas não tinha se aproximado de Tiago como gostaria. E foi no último trabalho do professor de história, o grande Pazino, que encontrou uma oportunidade.
Ela havia descoberto algumas coisas sobre Tiago durante o ano. Mais pela boca dos colegas próximos a ele do que por ele mesmo. Sabia, por exemplo, da “geekice” dele e isso era excelente. E ela nem desconfiava que o menino adorava jogos de simulação. Ela sugeriu que os dois formassem uma dupla e usasse os jogos Flight Simulator e Sim City por mera coerência. Afinal de contas, seriam as ferramentas mais propícias para uma apresentação sobre o atentado de 11 de setembro de 2001.
Ela já tinha, inclusive, escrito o nome dos dois em um papel assim que o professor anunciara que seria um trabalho em grupo. Fez sem capricho nenhum. Não era do tipo de garota que ficava enfeitando o que escrevia com coraçõeszinhos como pingos de is. Mas que ela fez questão de escrever Aninha e Tiago, isso teve… Ela não precisava colocar o e, mas achou que daquele jeito ficaria mais apresentável!
No caminho até o ponto de ônibus ela falou mais que ele. O assunto não foi outro além de como fariam o trabalho. Tudo ia super tranquilo. Tiago não fazia perguntas. Ele não parecia exigir mais dela do que ela poderia oferecer no momento. Não existia a mesma preocupação de quando ela aceitou sair com Júnior… Que agora acabava de entrar em seu campo de visão, esperando no ponto do ônibus.
— Oi, linda! Quer companhia pra casa? — Ela ficou surpresa com a pergunta. Desde o evento do cinema, Júnior nunca tentou mais nada com ela. — Ou o muambeiro ali resolveu tentar a sorte com uma mulher de verdade?
Agora ela entendeu tudo. Maldito ciúme. Ela não suportava esse tipo de sentimento. Sempre trazia problemas (ele e a inveja). Mas ela nem se preocupar em responder, pois tinha se dado conta de que Tiago já não a acompanhava mais. Pelo menos não estava ao lado dela, mas um pouco mais atrás, observando ela e Júnior com cara de “perdi!”. E antes que ela pudesse puxá-lo para mais perto, percebeu que o ônibus que Tiago disse que pegava para ir pra casa estava passando.
— Tiago! — A intenção não era fazer aquilo soar como uma bronca, mas… — Não é esse o seu ônibus? Corre, senão vai perdê-lo. — E mais uma vez, com o “putz” que ela ouviu como única resposta, sentiu-se vivendo algo que não esperava. Tiago não a deixava aflita. — A gente se encontra mais tarde! — ela acrescentou quando ele se virou pra olhá-lha antes de subir no ônibus. Ela queria poder dizer pra ele que não precisava se preocupar. Mas o outro garoto parado à frente dela não deixava isso sair naturalmente.
Como ela gostaria que fosse o ônibus dela que tivesse chegado primeiro. Melhor, o metrô Tucuruvi poderia ser um pouco mais perto dali, assim, era só uma estação pra ela chegar em casa. O Albino César (nome do colégio) era perto, mas o ponto onde eles acabaram indo, nem tanto.
— O que você faz aqui, Júnior? Seu pai não veio pra te buscar hoje? — Ela disse, meio irritada com a falta de privacidade que o rapaz representava naquele momento.
— Hoje eu volto de ônibus, meu pai está em viagem de negócios. Mas se não quer minha presença, ficarei magoado. Não que mesmo que eu a acompanhe até em casa?
— Júnior, você mora nas Palmas, eu na Parada Inglesa. Meio fora de mão, né? Acho… Quero dizer, é melhor não. — Por sorte, o ônibus dela estava chegando. — Olha só, eu tenho que ir!
— Bom, você é quem sabe! Só espero que não se arrependa. — Ela ouviu, mas não registrou muito bem o comentário. Deu um tchau bastante displicente e subiu no ônibus. Em 25 minutos descia no ponto mais próximo a casa dela. Mais 10 minutos e estava trancando pelo lado de dentro o portão e alguns segundos depois, jogava a mochila na cama.
Pretendia tomar um banho. O dia foi de dobradinha de Educação Física na primeira aula. E como sempre acontecia, ela ficava jogando vôlei com as amigas até o final do intervalo. Mas ainda era 13h30. Tinha combinado de se encontrar com Tiago às 16, portanto, ainda dava tempo pra um lanche pra enganar o estômago.
Ela estava sozinha em casa. Os pais ainda no trabalho. O irmão não morava ali, mas na casa que comprara junto com a noiva. Então, sempre tinha a cozinha e a casa só pra ela até às 20h, aproximadamente. Esse era o horário em que os pais dela voltavam. Os dois não trabalhavam juntos, mas era no mesmo bairro. A mãe é promotora e o pai servidor do INSS.
Eles nunca falavam de trabalho em casa. Diziam que o lar existe pra fazer as pessoas esquecerem do trabalho. Por Aninha, tudo bem. Mas que ela achava que isso não soaria da mesma forma se os dois não fossem funcionários públicos. Talvez o discurso fosse até mesmo outro. Enfim, ela estava com fome.
A cozinha era do tipo bar, com um balcão que terminava na sala de jantar. Era uma casa grande e a parte favorita de Aninha era a sala de jantar. Ela preparou um miojo, não estava com saco pra maiores opções mais requintadas. Foi até a sala de jantar e ligou a TV que ficava em um criado mudo próximo à mesa. O aparelho estava sintonizado a princípio em um programa de notícias. Era o famoso plantão da Globo.
Helicópteros filmavam uma cena impossível. Aninha só tinha visto algo parecido em uma revista em quadrinhos (não lembrava qual). Porém, os personagens estavam invertidos. Era um garoto que estava sendo carregado no colo por uma espécie de mulher-anjo. A câmera tentou acompanhar o movimento da mulher pássaro, mas ela simplesmente desapareceu num simples desfocar do equipamento.
A cena na TV mudou. O jornalista Chico Pinheiro anunciava que pelo menos 20 pessoas afirmaram ver a mulher alada arremessar um micro-ônibus em direção ao céu. Logo depois, ela teria socorrido um garoto que parecia ter se ferido após ser atropelado pelo veículo. O motorista já tinha sido levado pela polícia para prestar depoimento. Mas os policiais haviam encontrado os documentos do rapaz, jogado para fora da mochila tira-colo que ele provavelmente carregava.
E a informação seguinte fez Aninha correr em disparada para a rua. Esquecendo de banho e trabalho escolar. O jornalista anunciava o nome impresso nos documentos, enquanto uma imagem deles aparecia na tela.
Era Tiago.
Capítulo 3 – Anjos…













Caraca Jhonny tu é fera!
Esperando a continuação xD