A nova fronteira

… por Álvaro Kanasiro
Ganhador da camiseta da promoção Monster Hunter

A caravana espera por mim. Enquanto guardo meus equipamentos no baú da cabana, minha mão esquerda começa a tremer levemente. É a mesma sensação de ansiedade que tive na minha primeira missão como Hunter, aqui na Vila de Pokke, embora não seja mais tão jovem como naquela época.

Um Hunter recém-formado tem poucas escolhas de missão. Já havia feito missões de reconhecimento em algumas áreas e caçado monstros como preys e bullfangos, mas minha lembrança mais viva daquela época é a primeira caçada contra um monstro superior, que foi um Kut-Ku. Hoje sinto graça da minha inexperiência juvenil e da ansiedade que tomava conta de mim. Lembro-me de estar na floresta atrás do Kut-Ku sem o instrutor da Academia para me dar apoio e dizer o que fazer e como fazer. Toda aquela liberdade me deixava excitado e amedrontado ao mesmo tempo. Sem o instrutor eu poderia caçar do meu próprio modo, contudo eu não teria quem consertasse meus erros caso algo desse errado… O primeiro passo era observar atentamente os movimentos do Kut-Ku, depois esperar pela hora certa e finalmente atacar. “Planejar” era o verbo mais proferido por Touji sensei. Não podia me dar o luxo de errar, era minha primeira missão “de verdade”. No final tudo correu bem; embora tenha dado mais trabalho do que eu imaginava, consegui completar a missão.

Fora da cabana avisto algumas pessoas (e felynes) que me ajudaram bastante durante todo esse tempo: meu antigo instrutor, Touji sensei; Elder Yukino e Felyne Elder Nekkoto; os exploradores Treji e Trenia; e os felynes que me deram suporte dentro e fora das missões. Até agora não havia percebido como o tempo passou, e que ele havia passado muito rápido. Lembro com carinho de cada um, mas em especial tenho apreço por Elder Yukino. A história da Elder Yukino é contada para as crianças como se fosse um mito, envolta das lendas de Pokke. A história conta que no passado, durante a época da Grande Caçada, nenhum Elder das vilas próximas (Kokoto e Jumbo) quiseram ajudar a reconstruir a Vila de Pokke que fora devastada pelo Dragão Ancião Kushala Daora. Todas as vilas, inclusive Pokke, enviaram caçadores para cumprir as ordens do Reinado: destruir o mítico Dragão Branco, que, de acordo com as profecias, desce dos céus uma vez a cada cem anos para deixar descendentes na terra. A Grande Caçada não teve êxito, nenhum grupo de caçadores conseguiu sequer encontrar o dragão mítico. A perda foi maior para a Vila de Pokke, pois seus caçadores mais proeminentes haviam sido convocados para integrar a Grande Caçada. Durante o evento, os ataques de Kushala ficaram mais regulares, até que em um deles a vila foi devastada. Aqueles que restaram tinham que reconstruir suas próprias casas. A jovem Yukino e outros dois jovens caçadores das vilas de Kokoto e Jumbo (os únicos que resolveram ajudá-la) decidiram partir por conta própria, sem nem mesmo ter o Hunter Rank necessário para caçar dragões anciões. A lenda conta que depois de uma batalha épica os 3 jovens caçadores conseguiram derrotar o Kushala. Hoje ele pode ser visto petrificado no cume da Montanha Nevada, tornando-se o símbolo da vila. As armas dos 3 heróis foram imortalizadas. É possível encontrar réplicas dessas armas sendo usadas em festivais. O arco que Yukino utilizou, Glorious Victory, foi herdado de seu pai, o “Mestre Ferreiro”. O jovem de Kokoto é mais conhecido como “Herói de Kokoto”. Sobre ele pairam outras lendas, como aquela que diz ter conseguido extirpar a cauda de Lao Shan Lung com um único golpe. O rapaz da Vila de Jumbo é o que menos se tem notícias: depois do episódio com o Kushala, ele resolveu partir para terras mais distantes, nas áreas de Dondruma e Mesaport.

Bom, é para lá que estou partindo. O Reinado está convocando caçadores de todas as vilas para explorar novos territórios, e Elder Yukino selecionou um grupo para representar a Vila de Pokke. Sei que outros grandes caçadores vão surgir em Pokke. Muitos caçadores experientes partem em busca de novas aventuras para manter viva a chama dentro de si . Sinto que está na hora de descobrir novas fronteiras, novos desafios. Não há diferenças entre a vida de um caçador e a vida de um guerreiro, elas até se confundem. É preciso disciplina, coragem e acima de tudo perseverança. Apenas aqueles que perseverarem até o fim entrarão para a história. Esse é o caminho que escolhi.

Me despeço de todos e sigo atrás da caravana. Vamos até o porto de Jumbo, e de lá seguiremos para Dondruma. Não trouxe nenhuma arma ou armadura que conquistei nesses anos de caçada em Pokke. Quero começar de novo, conquistar cada equipamento, um por um, e sentir mais uma vez o gosto da superação. Minha mão esquerda começa a tremer novamente, dessa vez mais forte…

1 comentário to “A nova fronteira”

Divida suas ideias, deixe um comentário!

(necessário)

(necessário, mas não será divulgado)