ANÁLISE: ULTIMATE SPIDER-MAN (2ª PARTE)

Se você leu a primeira parte dessa minha análise sobre as histórias do Aranha, já sabe o porquê de eu achá-lo tão importante a ponto de perder tempo para escrever algo como o que vocês vão poder ler a seguir. Se não leu o texto anterior, basta clicar aqui. Se não quiser ler, não tem problema.

Não tem problema porque esse Homem-Aranha do qual irei falar, apesar de ser uma adaptação para os dias atuais (segundo a Marvel, para o público do Século 21), é bastante parecido com o original. E é aí que os fãs mais xiitas do personagem vão escrever meu nome num papel e costurá-lo dentro da boca de um sapo. Isso porque muitos acham que, por melhor que as histórias do Ultiverso sejam boas, elas nunca superaria as do Aranha original.

Para mim, realmente, elas não superam… Mas elas conseguem se igualar em qualidade fácil. Isso se dá justamente pelo fato da equipe criativa, composta pelo roteirista Brian Michal Bendis e pelo desenhista Mark Bagley, ser bastante corajosa com o desenrolar das histórias dos personagens. Mas essa comparação, com relação à qualidade, pode ser feita apenas com as histórias pré SAGA DO CLONE (viu porque você deve ler a primeira parte da análise?).

Se compararmos com se compararmos com as HQs atuais, pós clones, pós pacto com Mefisto, eu digo sem medo: A SÉRIE ULTIMATE SPIDER-MAN ARREBENTA.

MAS QUE QUE É ULTIMATE, MEU ‘FÍ’…

Basicamente, as revistas do universo ULTIMATE foram pensadas como uma maneira de tornar os personagens do universo criado pela MARVEL COMICS mais… digamos, ATUAIS. E isso começou com o Aranha, lá no ano 2000, ainda no século passado (nossaaaa… ‘quantu tempu véi!’).

Vocês se lembram que o Homem-Aranha “nasceu” originalmente em 1962, né? No mês de agosto daquele ano, o roteirista Stan Lee e o desenhista Steve Ditko resolveram lançar, na revista THE AMAZING FANTASY Nº 15 (a última dessa série), a história de um adolescente nerd franzino (ou de um franzino nerd adolescente) que acaba ganhando super-poderes depois de ser picado por uma aranha radioativa.

Pra quem não leu essa HQ, para entendermos as diferenças entre os dois universos, vale dizer que da apresentação do Peter Parker original, até a transformação dele em Homem-Aranha, já com uniforme e tudo mais, tudo se passa muito rapidamente. Tipo, você vira umas 2, 3 páginas e o Peter já tá de uniforme vermelho e azul, fazendo graça em ringues de luta-livre e se ferrando por causa disso, já que se nega a pegar um bandidinho mequetrefe… que acaba matando seu amado Tio Ben.

Tudo isso acontece na mesma revista. Diferentemente de como é apresentado o Peter na primeira edição da ULTIMATE SPIDER-MAN, que foi publicada aqui no Brasil, a princípio, pela editora Abril, sob o título de MARVEL SÉCULO 21 (que acabou incluindo também as histórias dos X-MEN desse ULTIVERSO) e, depois da 4ª edição, pela Panini, na revista MARVEL MILLENNIUM: HOMEM-ARANHA.

Na primeira HQ o Homem-Aranha nem aparece. Os autores resolveram dar à história uma narrativa, digamos, mais “lenta”… alguns diriam, mais trabalhada (pelo menos no que diz respeito aos fatos anteriores à transformação do personagem). Quem lê, sente facilmente a proximidade com o clima das séries de TV atuais.

A primeira mudança a se reparar é, claro, o visual dos personagens: trocaram-se as calças boca de sino pelo jeans ou pelas calças super-largas que montavam, e ainda montam, o visual de alguns adolescentes de hoje; saem as gírias como broto, ‘nos trinques’ ou ‘chuchu-beleza’ e entram o linguajar recheado por ‘tipo assim’, ‘irado’ e até mesmo alguns palavrões.

Até a aranha responsável por dar a Peter seus super-poderes não é mais radioativa (já que, na vida real, ela teria morrido se tivesse sido atingida por tanta radioatividade quanto a representada na primeira revista do Aranha). Na série ULTIMATE o aracnídeo foi geneticamente modificado e, nesse caso, não aleatoriamente…

Já de cara… somos apresentados a, DUH DUHMM, Norman Osborn. Aqui, o cara é um cientista dedicado a criar a sua própria versão do soro do super-soldado (que criou o escoteiro da liberdade dos EUA, o Capitão América). Ele acaba desenvolvendo uma droga, que batiza de OZ. Por causa do vacilo de um dos seus funcionários, a aranha na qual a droga foi testada acaba escapando do compartimento onde era mantida. Aí, olha só… ela resolve picar o jovem Peter enquanto ele passeava com os colegas durante uma da escola dele às Indústrias Osborn.

Mas Homem-Aranha mesmo, com o uniforme que todos conhecem, a gente só vê na 3ª edição. Antes ele improvisa alguns pijamas e uma máscara para ganhar uma graninha, participando de exibições de luta-livre, aproveitando-se de seus novos poderes. A coisa não é muito diferente da cronologia original, só leva um pouco mais de tempo para acontecer. Mas ele ganha os poderes e age de forma irresponsável até o dia em que, enquanto voltava pra casa, não ajuda a parar um ladrão e blá, blá, blá, blá….

As histórias do Aranha Ultimate são as que mais se parecem com as originais de todo o ULTIVERSO. As diferenças, porém, ficam na concepção de alguns personagens e no momento que são apresentados na história. Por exemplo:  o Peter já conhece e já está apaixonado pela ruivinha Mary Jane Watson; ele não tem nenhum interesse pela lorinha e patricinha Liz Alen; mas continua sendo humilhado (no caso, sofrendo BULLYING) pelos marmanjões do time de basquete, cujo “líder” é o playboizinho Flash Tompson.

O Tio Ben, que na série clássica só serve pra morrer, aqui ganha uma roupagem totalmente nova, mais trabalhada. Ele é apresentado aos fãs como um daqueles ‘Srs. Cabeça Aberta’, com visual hippie à lá Woodstock… com direito a rabinho de cavalo e tals. A Tia May não é mesma velha decrépita. Ela tá lá pelos seus 40/45 anos e não é tão imbecil/senil quanto a original (apesar dela continuar chata e impertinente em vários momentos da história).

O próprio Peter Parker é irritante… mas de tão próximo que ficou dos adolescentes dessa geração touch screen.

Ele continua sendo o nerd que sempre foi, com os mesmos problemas pra lidar com a vida na escola, com os colegas, com os parentes e com as garotas. A diferença aqui é que os roteiristas se preocupam muito em desenvolver justamente essa questão do relacionamento entre Peter e os demais personagens.

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(EM INGLÊS)

Brian Bendis parece não ter freio com seus diálogos intermináveis, onde por várias vezes o jovem Parker acaba se vendo num verdadeiro ‘heplátero’ amoroso… Com direito a voltas e revoltas com a MJ, com “desafogamento” das mágoas com a Gata Negra, ou até mesmo namorando uma X-MEN (MEN?), no caso, a Lince Negra (Kitty Pride) e, finalmente, dando uns pegas na Gwen Stacy (que aqui tá mais pra irmã adotiva do que paixão pra vida toda).

Essa é uma das características da série ULTIMATE que mais desagrada aos fãs. Porém, apesar do Peter Parker original não ter ganhado histórias dignas de qualquer novela voltada para o público adolescente, como Rebeldes e Malhação… :P Ele também chegava a ser chato demais quando, a cada surra que levava de um super-vilão, saia reclamando pelas próximas duas revistas se deveria ou não continuar sendo o Homem-Aranha.

O que o Peter Parker Ultimate tem de se preocupar com que garota ficar, o Peter Parker clássico precisava se preocupar com a quantidade de uniforme que jogou fora a cada nova crise de identidade. No entanto, mesmo irritado, você acaba acompanhando as histórias justamente porque os problemas do personagem são próximos aos nossos (por pior que seja admitir isso). Inadvertidamente, você se identifica.

Por sorte, o mesmo Brian Bendis que adora fazer da vida do Peter Parker Ultimate uma verdadeira novela mexicana, é o mesmo que acerta muito bem nos momentos de tensão e ação. E a dupla que ele faz com o excelente desenhista Mark Bagley funcionou muito bem até o final da primeira fase das revistas, antes da recente saga ULTIMATUM. Bagley “abandona” o personagem um pouco antes, após a edição 111 da revista, e é substituído por Stuart Immonen (que desenhava anteriormente para a Ultimate X-men).

Immonen ficou até o final de ULTIMATUM, quando foi substituído por David Lafuente (que apesar de eu não achar tão bom quanto o Bagley, possui uma arte excepcional) na nova fase das revistas, que deixaram o título ULTIMATE SPIDER-MAN para ULTIMATE COMICS: SPIDER-MAN (“grande mudança”).

Para não deixar o texto ainda maior, vou falar mais sobre essa nova fase na última parte da minha análise, que pretendo publicar assim que terminar de ler a ultima revista da série ULTIMATE, onde o HOMEM-ARANHA MORRE (o principal motivo que me fez escrever tudo isso).

No próximo e último texto, pretendo colocar tudo aquilo que achei corajoso e tudo aquilo que achei desperdício por parte da equipe criativa da série ULTIMATE SPIDER-MAN.