EGOÍSMO E ANTAS URBANAS

Você pode ter estranhado o título, mas certamente já viveu uma situação dessas quando resolveu por os pés pra fora de casa e trafegar pelas ruas das cidades (em especial, das grandes cidades). Melhor, quando decidiu enfrentar as pessoas que também decidiram sair de casa, porém, deixaram os cérebros delas guardados dentro do freezer (e junto com a boa educação).

Eu não vou falar da má educação dos motoristas, pois isso é algo já conhecido por muitos. Até a Disney fez um curta-metragem com o Pateta que retrata de forma magnífica como algumas pessoas se transformam no momento em que sentam atrás de um volante.

Quero falar é da burrice dos pedestres mesmo. É ‘antice’, ignorância, falta de noção ou “simplesmente” total falta de educação e INTELIGÊNCIA que impera pelas ruas. Começarei com uma coisa que já comentei com alguns amigos:

Não é certo ser egoísta. Mas quando uma pessoa é egoísta por natureza (imagino eu) ela quer se dar bem na vida, independentemente se tiver que ferrar com a vida das outras pessoas. A questão é que o egoísta não vai fazer nada que o prejudique… Mas no Brasil (e falo no Brasil porque nunca morei em outro país pra saber se lá existem pessoas assim… apesar de ter quase certeza de que elas existam em qualquer lugar) parece que muita gente nem egoísta sabe ser.

Exemplo: pegar ônibus nos horários de pico das grandes cidades é uma tarefa árdua. A coisa começa no motorista do ônibus, que abre a porta para receber mais passageiros mesmo vendo que os únicos lugares vagos são os vãos entre as rodas. E o problema piora com o cobrador… que adora mostrar serviço dizendo: “Dá mais um passinho pro lado gente!”.

DENTRO DO ÔNIBUS… MAS NEM CONSEGUI SUBIR O BRAÇO…

Acho incrível como ainda não teve um que gritasse: “Aí, agacha ali e deixa aquela senhora sentar nos seus ombros? Ae, pivete, entre debaixo daquele banco pra ver se a gente consegue colocar mais 5 pessoas empoleiradas na roleta!!”.

Aí, pra piorar, vem os próprios passageiros. A pessoa tá vendo o maldito micro-ônibus com as janelas turvas de tanta gente… Uma tentando lutar pra não cair no colo da outra e, mesmo assim, o infeliz no ponto de ônibus estende aquele maldito bracinho… Pra quê? Pra não ficar fora da brincadeira? É sádico o infeliz?

“Não… é porque eu vou chegar atrasado se não pegar esse!”. Sai mais cedo de casa, caramba. O maledeto sabe que a coisa encrenca em determinados horários do dia, mas não tem coragem de acordar mais cedo pra evitar o empurra-empurra. E é aqui que entra o EGOÍSTA BURRO. É aquela pessoa que, apesar de não se importar com o bem estar do outro, se fode junto só porque não foi esperto de verdade.

Quando eu não consigo sair cedo de casa, eu chego atrasado mais não me embrenho igual um maluco pra dentro de ônibus lotado. Eu uso mochila, isso só ajudaria a piorar o meu bem estar e o das outras pessoas, já que eu teria que manejar a bagagem extra pra não esbarrar em ninguém.

Mas tem nego que não tem essa mesma consciência… Se você sai mais cedo, até assento livre consegue achar. O FODA é que, lá na frente, quando o carro já não tem mais bancos livres, sempre aparecem aquelas mulheres carregando bolsas de ombro. Juro, se um dia eu encontrar o cara que inventou esse assessório, vou fazê-lo comer uma dessas pela ouvido. Por que pelo ouvido? Acontece que as donas dessas bolsas, geralmente, esquecem-se de que há mais pessoas ao lado delas e não tiram a bolsa do ombro.

Aí, quando ônibus se movimenta… no balançar daquela geringonça, a maldita bolsa acaba acertando a tua cabeça com tanta delicadeza que você chega no serviço tendo que explicar que não foi espancado por skinheads.

PQP… custa tira a bolsa do ombro? Algumas nem são grandes, mas doem pacas. O pior é quando você se oferece para segurar e a pessoa se nega: “Não… não tá pesado!”. Dá vontade de dizer: “Não é o que meu olho esquerdo acha…”. Aí, pra ajudar, sempre aparece aquela pessoa que entra no ônibus e, mesmo vendo que o corredor entre os bancos está LOTADO, ainda insiste em ir para o fundo do carro. Aí, no esfrega-esfrega, o pentelho passa pela mulher que tá com a bolsa e com o esbarrão acaba te rendendo outro jeb no lóbulo da orelha.

E quando você chega no ponto final, tipo Estação Tucuruvi do metrô, onde todas as pessoas vão descer? Tem gente que simplesmente levanta do banco achando que é um mutante, que vai atravessar pelas outras pessoas sem incomodá-las. Ninguém tem paciência para ser cordial. Basta fazer um revesamento, com quem tá no corredor dando passagem pra quem está sentado, que ninguém precisa esbarrar em ninguém. Isso evita desconfortos.

Mas se o problema parasse aí, blz… Porém, a coisa continua no metrô, desde a fila pra comprar bilhete até a hora de passar a catraca. Não é uma vez aqui e outra na morte… É todo dia. Todo dia eu me deparo com situações como essa da foto abaixo:

CATRACA DOS DESESPERADOS…

Reparem que tem um grupinho embolado numa fileira de bloqueios, enquanto a outra fileira está completamente livre. Tipo: é alguma promoção que tava valendo pra quem passasse mais vezes pela fileira da direita? Sei lá… o milésimo idiota que passasse ali não paga a passagem? Ou ganhava um hematoma na pélvis?

Repara na pessoa desfocada, mais no meio da imagem… Repare que ela está indo pro grupinho, mesmo que os três bloqueios logo à frente dela estajam COMPLETAMENTE LIVRES. Eu tentei procurar uma placa de VOCÊ VAI TER SE CÉREBRO DE VOLTA SE PASSAR AQUI. Acho que é isso o que as pessoas mais temem: PENSAR.

E chegamos nas escadas rolantes. Repare na foto:

Ôôôô MOLEZA!!!

Reparem que a escada FIXA tá TOTALMENTE  livre. Mas tá TODO MUNDO embolado, numa verdadeira orgia urbana, na escada rolante. Por quê? Por preguiça. É um bando de obesos mentais que não têm coragem de subir alguns degraus de escada. Os egoístas imbecis demoram mais tempo pra conseguir um degrau na escada rolante do que um espaço dentro do vagão que está prestes a chegar.

Mais uma vez, um monte de EGOÍSTAS BURROS. O egoísta esperto (se quiser me colocar nessa categoria, blz) sobe de escada, chega primeiro na plataforma e pega o vagão mais rápido e mais vazio… já que a muvuca tá toda presa na escada rolante.

Eu sinceramente não sei o que se passa na cabeça da maioria das pessoas. Muitas simplesmente se esquecem que não existe somente elas no mundo. Não estão nada incomodadas com a possibilidade de passar por você sem te empurrar. A cordialidade ou educação não existem mais. A pressa de chegar no destino é prioridade. E tudo isso só me faz ter mais certeza no surgimento de uma nova espécie de pessoas:

AS ANTAS URBANAS.