
ATENÇÃO, O TEXTO CONTÉM SPOILERS SOBRE VÁRIAS HISTÓRIAS
Eu nunca fui nerd a ponto de conhecer a história de todos os personagens dos quadrinhos. Mas tenho quase certeza de que praticamente todos tiveram alguma edição que conta a história de como eles morreram (e outra de como eles ressuscitaram). Também não posso dizer que consigo encontrar outra explicação para que profissionais da 9ª arte continuem insistindo nesse tipo de roteiro de tempos em tempo além da busca pelo MARKETING.
O Super-homem já morreu… o Batman já morreu… o Flash já morreu… o Lanterna Verde já morreu… Aí eu ouço aquele quatro olhos ali no canto da sala gritar: “Mas esses aí são personagens da DC… que a cada 2, 3, 5 anos inventa uma nova crise pra reformular os personagens!”. Sim, é verdade… mas e a Jean, dos X-men? Ela também já morreu. O Thor também já morreu… o Capitão América já morreu… e…
O HOMEM-ARANHA JÁ MORREU (e ele também é da MARVEL)
E TRÊS (valeu @Erick_Vinicius) vezes. A primeira vez foi lá na edição #31 da revista Web of Spider-man, de outubro de 1987, durante uma das melhores sagas da história do personagem: A ÚLTIMA CAÇADA DE KRAVEN.
Mas a coisa não durou muito (lógico). Já na edição seguinte, de número #32, o herói consegue escapar do túmulo onde foi enterrado vivo. Isso porque, na verdade, ele não tinha morrido. O vilão Kraven, o Caçador, usa um super tranquilizante que acaba deixando, o até então recém-casado, Peter Parker apagadão por duas semanas. Depois desse tempo, numa batalha também psicológica pra entender o que tava rolando, o Aranha consegue superar o efeito da droga e usa sua super-força pra cavar uma saída da sepultura.
Agora, puxando um saco do herói, posso dizer que essa foi a melhor morte de um personagem de quadrinhos já inventada. É uma história dramática, do início ao fim. E você meio que já saca que a morte foi forjada, que o Aranha voltaria no fim da saga pra resolver todo o conflito. Talvez o exagero aí foi o fato dele ter ficado enterrado duas semanas (sem ter realmente morrido por falta de oxigênio dentro da cova). Mas se aceitamos que alguém pode ganhar poderes com uma aranha radioativa, dá pra superar essa viagem também.
Já a segunda morte foi na saga O Outro, da época em que o macumbeiro J. M. Strackzinsky comandava grande parte do roteiro das histórias do Aranha… Ao contrário de A ÚLTIMA CAÇADA DE KRAVEN, essa trama foi UMA VERDADEIRA “DEFECAGEM” MENTAL. Na história, publicada originalmente na revista Friendly Neighborhood Spider-Man #1 (de 2001), o pobre Peter aparentemente morre depois de uma sangrenta luta contra o super-vilão Morlun.
Logo depois, a sua parte aracnídea (sim… eu espero você ler 50 vezes a frase pra acreditar)… sai do seu “cádaver” pela janela da Torre Stark (na época o Aranha fazia parte do time dos Vingadores). Isso aconteceu porque o corpo dele entrou em um processo de mutação, depois de ter sido gravemente ferido. Ele meio que criou um casulo (MEODEOS) que, além de curar todos os ferimentos, iria originar um novo HOMEM-ARANHA, com poderes “melhorados”: teia orgânica, sentido de aranha amplificado… que o permitia CONVERSAR com outros insetos (e ainda me perguntam porque parei de ler…).
Já a terceira morte do personagem foi mais recente, na edição #160 da ULTIMATE COMICS SPIDER-MAN, publicada em julho deste ano. Se vocês leram a 2ª parte da minha análise das histórias do aracnídeo, sabe que as revistas da série ULTIMATE da MARVEL recontam as histórias de vários personagens da editora, incluindo aí o Aranha.
E é agora que vem o ponto onde eu gostaria de chegar com todos esses textos:
O COMEÇO, O MEIO E O FIM…
… que faz falta nas revistas atuais. Isso, principalmente para “velhotes” como eu, que lêem quadrinhos há um tempo considerável e já enjoaram de envelhecer enquanto seus personagens favoritos continuam com o bumbuzinho rosado, no ápice da juventude.
Quando você é adolescente, não se preocupa muito com isso. Você quer ver a ação do herói, os super-poderes… o desenrolar das histórias e até onde os personagens vão para defender os cidadãos e todo o romantismo que esse tipo de publicação propõe.
Mas chega uma hora que você começa a reparar em coisas do tipo: o Peter tinha por volta de 15 anos quando se tornou o Homem-Aranha, lá em 1962; na época, os jovens já curtiam os Beatles (que começaram a despontar em 1960), usavam calças boca de sino… roupas coloridas e minissaia; as ruas eram recheadas por IMPALAS, MUSTANGS e, olha só… CADILLACS…
Aí, você abre uma revista atual e vê o mesmo Peter, já formado, casado e descasado (com a benção do demônio Mefisto, diga-se de passagem) e acaba até contabilizando: o cara terminou o colegial em 1964, quando tinha por volta de 17 anos; entrou na universidade em 1965 (na edição #31 da revista The Amazing Spider-man; época em que ele também conheceu a Gwen Stacy… lembra dela?) e se formou em 1978 (na edição #185 da The Amazing Spider-man, publicada em outubro daquele ano).
Tudo bem que nessa época os roteirista já tinha deixado de contabilizar os dias e os anos com exatidão… Mas supondo que esses 13 anos equivalham a uns 4/5 anos de faculdade, nosso herói estaria aí com uns 21/22 anos (num ano em que o século 21 ainda era lenda).
Numa matemática grosseira, hoje, era pro Peter já estar com uns 30/40 anos. Mas a carinha dele continua a mesma… já os cabelos, as roupas, as músicas que ele ouve e os carros sob os quais ele se balança, não.
Nem as Torres Gêmeas do World Trade Center existem mais, nem o Bin Laden… nem a Dercy. Já era pro personagem ter ganhado uma nova edição sobre sua morte há muito tempo. Mas por uma causa simples: VELHICE.
E quando eu achava que esse tipo de personagem atemporal nunca deixaria de existir, a Marvel me surpreendeu com a notícia sobre a morte do Peter Parker da série Ultimate. E a coisa aconteceu antes mesmo do personagem perder a virgindade… (disseram que isso acontece na 3ª edição anual (especial) da ULTIMATE COMICS SPIDER-MAN; mas eu li e não me convenceu). E antes que você pense “Ah… mas até quando?!”, saiba que a editora realmente vai fazer o personagem voltar, mas não como PETER PARKER.
Ainda não se sabe muito sobre Miles Morales, que como o próprio nome sugere, tem origem latina e é… negro (alguém pensou no Obama, que já se declarou fã do personagem… e já teve participação autorizada em uma das revistas da cronologia original?). Mas é ele o novo Homem-Aranha da série Ultimate. E isso me fez simpatizar ainda mais com a equipe criativa dessas revistas e até mesmo a dar alguns pontinhos para o Sr. Joe Quesada pela ousadia.
Acredito que se fizessem isso com o Aranha original muitos fãs não ficariam tão revoltados, e parariam de acompanhar as histórias, como muitos ficaram com o tal pacto que a Mary Jane fez com o demônio Mefisto.
Para quem não acompanha as HQs, para livrar o marido dos problemas (a identidade dele foi revelada publicamente, a tia May estava morrendo por causa de um tiro e tudo mais), a MJ resolveu fazer um “acordinho” com o demônio do Chapolin (lembra aquele do Chirrin-Chirrion do Diabo?).
Essa opção foi escolhida pelo mesmo Joe Quesada ali de cima, que sempre disse não gostar do relacionamento do Peter com a Mary Jane. Para ele, essa condição tirava a liberdade e a juventude do personagem, afinal de contas, como ele não pode dar mau exemplo para o público, não podia pular a cerca… não podia se envolver com outras garotas.
Mas que ele metesse uma bala na cabeça da moça… ou a fizesse querer se separar… E não que ela preferisse vender a própria alma (oi?) quando viu o Peter desesperado para salvar a velha da Tia May (que já deveria ter morrido um século antes). Aí houve um reboot das histórias, o retorno de um monte de gente que tinha morrido (Harry Osborn, Gwen Stacy… sim, pode chorar!) e a lobotomia mundial, que fez todo mundo esquecer que Peter Parker era o Homem-Aranha.

- MORRE ‘INFILIZ’
Fico imaginando se não teria sido melhor MATAREM O ARANHA no final da saga Guerra Civil, quando ele revela a identidade. Poderia ter sido uma morte parecida com a do Aranha da série Ultimate (SPOILER), numa briga feia entre seus principais vilões (SPOILER). Algo épico, memorável. Aí surgiria um novo Aranha… ou uma Garota-Aranha… ou uma Bicha-Aranha… ou um Traveco-Aranha… ou um Gato-Aranha [piada interna]… Qualquer outro novo personagem que ninguém conhecesse, com uma série de novos coadjuvantes, disposto a novos romances…
A revista com a morte do Aranha Ultimate esgotou em poucas semanas, “obrigando” a Marvel a rodar mais edições e colocá-las à venda (que coisa!). E quando a primeira edição da Ultimate Spider-man com o novo personagem chegar às bancas, não tenho medo de prever outro record. Se isso rolasse com o Aranha clássico, a Marvel venderia o suficiente de revistas para comprar a Warner Bros. e dar a quadrilogia de Piratas do Caribe (a Marvel agora é da Disney, caso tenha se esquecido) de troco pra DistintaConcorrência.
E, o “mais importante”, eu voltaria a acompanhar a cronologia original do personagem. Tudo bem que, agora, eu considero a Ultimate como oficial, pela qualidade das histórias.







